LGPD e canal de denúncias: proteção de dados e integridade
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, LGPD, n.º 13.709 de 2018, não trata apenas de grandes bases de dados ou operações complexas. Na prática, ela está presente em situações muito mais comuns do que parece, inclusive dentro de um canal de denúncias.
Há empresas que implementam canais de denúncias pensando apenas no conhecimento do relato, mas se esquecem que esse processo também precisa estar em conformidade com a LGPD.
Imagine o caso de um colaborador que relata uma situação de assédio. Se essa informação não for tratada com o devido controle de acesso ou, ainda, se o conteúdo do relato circular internamente sem critério, o problema deixa de ser apenas a denúncia e passa a ser também um risco jurídico relevante para a empresa. A própria lei é específica ao exigir que o tratamento de dados observe princípios como necessidade, finalidade e segurança.
Nesse contexto, o canal de denúncias deixa de ser apenas uma ferramenta de compliance e passa a ser também uma estrutura de proteção de dados. A empresa precisa saber exatamente quem pode acessar as informações, por quanto tempo elas devem ser mantidas e qual o procedimento deve ser adotado em caso de solicitação de exclusão por parte do titular.
A LGPD traz um elemento importante: a responsabilidade. Não basta agir corretamente, é preciso demonstrar que há controles, políticas e critérios bem definido: processos desenhados, registros organizados e uma governança mínima sobre o fluxo de informações.
Quando bem estruturado, o canal não entra em conflito com essa lei, pelo contrário, ele reforça a cultura de responsabilidade e transparência. No fim, a lógica é simples: não basta saber o que acontece dentro da empresa, é preciso saber tratar as informações da maneira correta.