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Integridade no Esporte

Integridade no futebol: entre o espetáculo e a sobrevivência institucional

Marina Drummond Machado
Marina Drummond Machado
Credibilidade.

No futebol, assim como em qualquer esporte, há algo mais valioso que um título: a credibilidade. Ela não levanta taças, mas sustenta instituições. Vale questionarmos o quanto estamos naturalizando o risco reputacional em nome do sucesso momentâneo.

A integridade no esporte não é só evitar escândalos, é construir uma cultura que resista à tentação do atalho. Um dirigente pode evitar a contratação de um atleta talentoso envolvido em denúncias graves? E se o fizer, pagará o preço da crítica da torcida? Um clube pode barrar práticas imorais mesmo sabendo que rivais não farão o mesmo? Podem, e devem. Contudo, é necessário ter coragem e vontade institucional.

Transparência real em negociações, mecanismos robustos de denúncia, due diligence, são alguns dos critérios técnicos que acabam por reconfigurar uma estrutura ultrapassada em que a integridade deixa de ser vista como um departamento organizacional e passa a, transversalmente, ser parte fundamental das decisões estratégicas do clube.

Desse modo, um dos primeiros desafios é tirar o compliance da posição de “seguro contra escândalo” e colocá-lo como um dos principais motores da longevidade institucional.

É possível vencer com ética. Mas é preciso querer vencer dessa forma.


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